História

Entre 1913 e 1914 um grupo de rapazes adeptos do Futebol, que se juntavam nas imediações da Boa-Hora, na Freguesia da Ajuda, idealizavam formar uma equipa de Futebol que, mais tarde, levasse à criação de um Clube desportivo no próprio bairro. Como se tratavam de rapazes muito jovens, na maioria com idade para prestar o serviço militar, foram, entretanto, incorporados e pouco tempo depois integrados num contingente de tropas para combater na Primeira Grande Guerra. Por esse motivo, só em 13 de Julho de 1918, após o seu regresso e reencontro, se formalizou a tão ambicionada ideia do nascimento desse Clube, ao qual foi dado o nome de BOA-HORA FOOT BALL CLUB.

A Assembleia Geral Ordinária, que deu lugar à primeira acta, realizou-se no dia 23 de Novembro de 1918 e foi efectuada em casa do associado Jorge Mendes Loureiro (sócio nº1), residente na Calçada da Boa-Hora, em que estiveram presentes 22 associados, número suficiente para que, entre si, formassem duas equipas e, assim, pudessem treinar e jogar Futebol. Esta ideia partiu dos dois primeiros sócios, mencionados no respectivo «Registo», Jorge Mendes Loureiro e Vicente Seabra.

De 1918 a 1920 a equipa participou em diversos jogos e torneios particulares. Só a 3 de Janeiro de 1921 é que o Boa-Hora Futebol Clube se filiou na Associação de Futebol de Lisboa para começar a competir oficialmente nos campeonatos de «Promoção» e «Iniciação», onde conquistou alguns troféus.

Continuava, assim, a ser o Futebol o Desporto-rei no Boa-Hora. Daqui, saíram atletas para vários clubes, entre outros: Eduardo Azevedo, Júlio Marques, Alfredo Anacleto, José Tavares e Francisco Marques. Mais tarde, quando ainda jovem, Serafim das Neves, que passou a representar Os Belenenses e o guarda redes Lapa, que jogou na primeira categoria do Atlético. Também o internacional Nogueira deu os primeiros passos no Boa-Hora.

Em 1920, o Boa-Hora Futebol Clube teve a sua primeira sede social na Travessa do Machado, no Bairro da Ajuda, nesse mesmo ano passou para o Largo da Boa-Hora. Em Março de 1925, o Boa-Hora Futebol Clube mudou a sua Sede para a Rua do Calhariz; passados 10 anos para a Rua Aliança Operária e em 1951, para a Rua D. Vasco. Sempre com o anseio de melhorar as condições de reunião dos associados, em 1967 a sede passou para a Calçada da Boa-Hora. Em maio de 1970 foi construído um ginásio no edifício da Sede.

Por volta dos anos 40, já Câmara Municipal de Lisboa tinha cedido a título precário, o terreno onde hoje se encontra o Parque Desportivo Boa-Hora FC/ROFF. Nessa altura foi construído um campo de Basquetebol. Em 1949, junto desse campo, foi montado um palco de grandes dimensões, onde se realizarem várias manifestações culturais, tais como: espectáculos de teatro, fados e variedades, por ali passaram nomes como: Amália Rodrigues, Hermínia Silva, Max, Francisco José, Alberto Ribeiro, Humberto Madeira, Maria da Graça, Tony de Matos, Fernando Maurício, Alfredo Marceneiro etc.

Nos terrenos anexos, funcionavam uma pequena feira-popular (mais conhecida pela verbena do Boa-Hora FC), onde havia circo, carrosséis e barracas de diversões. Também foi aqui que começaram as marchas populares de Lisboa.

Com a construção do campo de basquetebol, o clube desenvolveu esta atividade desportiva, chegando mesmo à Divisão de Honra. Destacou-se o jogador Álvaro Tomás, que veio a integrar as Seleções dessa época. Hoje é sócio de mérito do Clube.

A primeira fase da construção do parque desportivo ocorreu em 1962. Em 1988 o então campo de futebol foi remodelado assim como sua iluminação. Foi lançada a primeira pedra da piscina, a qual inaugurada a 24 de Junho de 1989. O Presidente Francisco Mateus teve um papel primordial no desenvolvimento das atividades no clube, tendo sido dado o seu nome ao polidesportivo.

Nos últimos 25 anos, muitas alterações aconteceram. Em 1992 acabou o futebol, o campo foi demolido, dando lugar ao pavilhão Gimnodesportivo, inaugurado em 1995, como também aos 3 courts de Ténis.

Foi a 3 de Junho de 1992 que se celebrou com a Câmara Municipal de Lisboa a escritura para a cedência dos terrenos do atual parque desportivo.

Com a construção do pavilhão, o Andebol passou a ser a modalidade rainha do nosso clube. Foram conquistados muitos títulos regionais e nacionais, além de vários troféus ganhos no país assim como em Espanha, França, Bélgica e Inglaterra. A equipa de seniores masculinos chegou a atingir a 1ª Divisão Nacional, destacando-se vários jogadores que integraram as Seleções Nacionais: Arthur Ferreira, Frederico Adão, João Romana, Raul Lopes, Tobel e João Branco Lopes. Mais recentemente, foram nossos jogadores os internacionais Ricardo Andorinho e Jorge Menezes.

Em 2012, deu-se o encerramento definitivo das piscinas. Sobre a piscina de crianças, foi construída a sala de Ténis de Mesa; na cuba da piscina de 25 metros, foi construída a estrutura do Crossfit. No 1º andar deste edifício, foi inaugurado o ginásio de musculação em 2014, assim como uma clínica de fisioterapia.

No antigo ringue, hoje coberto, foi colocado um piso de relva sintética.

Em 2015, foi construído no antigo ginásio do pavilhão gimnodesportivo, a sala de artes marciais e no antigo ginásio de musculação a Casa do Jogador, com 3 quartos. No edifício das piscinas, a antiga sala de máquinas, foi transformada numa sala para aprendizagem de Ténis de Mesa.

Em 2016, o antigo posto médico foi transformado na sala de refeições com cozinha, que dá apoio à Casa do Jogador.

A iluminação do pavilhão e dois courts de ténis foi substituída por lâmpadas de leds.

As nossas instalações atuais constam de um pavilhão gimnodesportivo com capacidade para 650 espectadores, um polidesportivo coberto com piso de relva sintética, 2 courts de ténis de piso sintético, 1 de padel, 1 sala de ténis de mesa, salão de crossfit, ginásio de musculação, ginásio de artes marciais, sala de Ténis de Mesa para iniciados, Casa do Jogador, sala de refeições, gabinete de fisioterapia e bar.

As modalidades praticadas no clube são: andebol, ténis de mesa, ténis, musculação, crossfit, artes marciais, cicloturismo e dança.

O Boa-Hora FC, foi considerado Instituição de Utilidade Pública pelo Decreto Lei 460/77 e foi-lhe atribuído a medalha Municipal de mérito Grau Ouro a 6 de Abril de 1993. Diploma de Mérito Associativo, 75 anos de Federação Portuguesa das Coletividades de Cultura e Recreio.